Delação de ex-deputado faz “strike” e MP investiga mais 4 em MT

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José Riva revelou esquema que abasteceu campanhas do PP em 2010

O Ministério Público do Estado (MPMT) instaurou mais quatro inquéritos para investigar figuras conhecidas da política de Mato Grosso. De acordo com o órgão ministerial, eles teriam recebido recursos ilícitos durante a campanha eleitoral de 2010 nos cargos que disputaram (deputados estaduais a federais).

O promotor de justiça Célio Fúrio assinou todas as portarias que oficializaram as investigações no último dia 7 de fevereiro. São alvos do MPMT o ex-deputado estadual e coronel PM aposentado, Peri Taborelli, o ex-deputado federal, Pedro Henry, o ex-vereador de Cuiabá, Levi Pires de Andrade e o locutor de rádio Gustavo Almeida.

Com exceção de Henry, que foi candidato e eleito deputado federal em 2010, os outros três investigados lançaram candidatura à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) naquele ano, almejando serem eleitos como deputados estaduais. Todos eles faziam parte do Partido Progressista (PP) à época.

 

O promotor de justiça apontou nas portarias que os inquéritos foram abertos com base na delação premiada do ex-deputado estadual José Riva. Ele contou que em 2010 houve uma suposta “negociação” com o então candidato a governador do Estado, Silval Barbosa – que acabou vencendo a eleição. Segundo Riva, recursos públicos abasteceram as campanhas eleitorais dos candidatos do PP em 2010.

“[O MPMT] recebeu documentos do Gaeco contendo ‘pen drive’ com gravação audiovisual das declarações do delator José Geraldo Riva e anexo, noticiando possível negociação com Silval Barbosa a título de contribuição para suporte político e auxílio à campanha eleitoral de 2010, com repasse de valores provenientes de recursos públicos, distribuídos entre os candidatos a deputados do Partido Progressista – PP, entre eles o investigado”, diz trecho das portarias.

Além destes quatro políticos, outros nomes que pertenciam aos quadros do PP em 2010 também são investigados pelo Ministério Público. São eles: o prefeito de Sinop, Roberto Dorner, e o ex-deputado federal, Eliene Lima.

No fim de 2019, uma reportagem do FOLHAMAX revelou que José Riva disse em sua proposta de colaboração premiada que o PP havia recebido R$ 7 milhões de Silval Barbosa no ano de 2010 a pedido do próprio Riva. O ex-governador também teria “contribuído” com 300 mil litros de óleo diesel, e outros R$ 2 milhões (metade em dinheiro, metade em materiais gráficos).

Riva disse ainda na sua delação que “diversos candidatos a deputado Estadual” receberam R$ 100 mil. Do grupo investigado pelo MPMT, somente Pedro Henry conseguiu se eleger naquelas eleições. O inquérito civil é uma etapa anterior à proposição de uma ação na Justiça, que pode condenar os suspeitos à perda dos direitos políticos e ao pagamento de multa.

Fonte: DIEGO FREDERICI/Folha MAX

 

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