MT terá 2 mil casos de câncer de próstata

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Entre 2018 e 2019, aproximadamente 2.079 homens devem desenvolver o câncer de próstata em Mato Grosso, uma média de 63 casos para cada 100 mil pessoas ao ano. Desse total, cerca de 22%, algo em torno de 474 dos doentes, são de Cuiabá, que apresenta possibilidade de 79 registros para cada grupo de 100 mil. A estimativa é do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que prevê 68.220 diagnósticos no Brasil este ano.

antonio rodrigues da rosa e filhas - cancer prostata O aposentado Antonio Rodrigues da Rosa, 61 anos, descobriu um adenocarcinoma (tumor maligno) na próstata em agosto de 2016, aos 58 anos, devido a um erro no município de Nova Maringá (a 370 km da Capital), onde vivia, só fez a cirurgia de retira do tumor, pelo SUS, em janeiro de 2017, com avanço já para a ureta que teve parte removida. O apoio da família foi fundamental para ele buscar por ajuda e manter o tratamento.

Hoje é paciente do Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan). “Depois da cirurgia fui para a radioterapia já tomei 16 injeções, das 36 previstas. E agora o médico me animou disse que se a evolução do tratamento continuar positiva poderia diminuir para 24 injeções”, comemora.

Resultado de imagem para Tiago CerzosimoDe acordo com o oncologista Tiago Cerzosimo de Oliveira, o câncer de próstata é o que mais afeta a população masculina, com exceção do câncer de pele não melanoma e a testosterona, o hormônio que determina as características físicas e comportamentais dos homens, é o grande vilão. O hormônio é produzido tanto por eles, nos testículos, quanto por elas, nos ovários, porém os homens produzem cerca de 30 vezes mais testosterona do que as mulheres.

O oncologista destaca que o envelhecimento da população masculina eleva o risco da doença. “É uma doença de idosos. Câncer de próstata em jovem é algo muito raro, mas já tive pacientes na faixa dos 40 anos ”, revela.

De acordo com o especialista, outros fatores de risco para o câncer de próstata são a questão hereditária (história familiar), ser da raça negra, obesidade, maus hábitos alimentares e sedentarismo. Uma preocupação constante é com o diagnóstico precoce da doença. “Como o homem resiste para se consultar, os casos são detectados tardiamente o que prejudica o tratamento”, alerta o médico. Por outro lado, quando diagnosticada precocemente, a doença tem elevadas chances de cura, que podem chegar a 95%.

O profissional diz que as mulheres tem a cultura de procurar orientação desde cedo, depois do pediatra na infância, elas tem a figura da ginecologista que faz os encaminhamentos necessários já os meninos ficam sem saber que profissional recorrer. “Costumam dizer que o urologista é o médico do homem na adolescência. Mas, o jovem pode recorrer ao clínico geral que dará o encaminhamento pertinente”, destaca. “O oncologista pode fazer os exames de rastreio, ou seja investigar”

Tiago Cerzosimo reforça que a campanha Novembro Azul, voltada à saúde do homem, serve de alerta para a população sobre a importância dos exames de rastreio, como o PSA (Antígeno Prostático Específico), feito através da análise via coleta de sangue, para descoberta do exame da próstata. “O exame de toque retal, que pode identificar alterações na próstata, é muito importante e complementa o exame de sangue. Não tem sentido os homens temerem. A prevenção sempre será o melhor caminho”, defende.

Quando se trata de saúde não podemos ter pudor

Antonio da Rosa, paciente em tratamento

Ainda em tratamento, Seo Antonio tem fé na cura e para ele um santo remédio chama-se bom humor. Ele tenta manter o ânimo para o tratamento ter melhor resultado e enfrentar a doença. “A gente enfrenta um problemão e se ficar jururu é pior, quem desiste da luta já antecipou a morte”, ensina.

Para os homens que não fazem o exame de toque por medo ele tem um recado: “Parem de frescura. A mulher de tempos em tempos tem que fazer exame de Papanicolau (exame ginecológico que detecta câncer de útero) e não reclama”, compara. “Quando se trata de saúde não podemos ter pudor”.

O que é

Pr�stataA próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão muito pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.

Diagnóstico

O médico informa que o diagnóstico é feito através de avaliação clínica, exame de toque retal, PSA e, em alguns casos, com o auxílio de exames de imagem, como ressonância e ultrassonografia de próstata, além de biópsia guiada (retirada de um pequeno fragmento para análise patológica).

Sintomas

Na fase inicial o câncer de próstata não costuma apresentar sinais e sintomas e na maioria dos casos, o tumor tem evolução lenta e silenciosa, podendo demorar 15 anos para chegar a 1 centímetro. Entretanto, em alguns casos, o câncer pode crescer rapidamente e se disseminar para outros órgãos, o que os médicos chamam de metástase, podendo levar à morte.

Alguns sinais de alerta são a dificuldade para urinar e o aumento da frequência urinária. Na fase avançada do câncer de próstata, pode haver dor nos ossos, dor lombar, sangue na urina, insuficiência renal, infecção generalizada, entre outras manifestações.

Tratamento

De acordo com o oncologista, o tratamento depende do estágio que a doença é descoberta. Nos estágios iniciais, é possível realizar a prostatectomia radical é realizada na maioria das vezes se o tumor está contido na glândula. Nesta cirurgia é realizada a retirada de toda a próstata, além de alguns dos tecidos à sua volta, incluindo as vesículas seminais.

Caso tumores que não foram completamente removidos ou que reincidiram após a cirurgia, e em estágio intermediário pode ser feito tratamento radioterápico, utilizando radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células cancerosas que formam um tumor.

Já se o tumor for descoberto em estágio avançado, com metástase a indicação e radioterapia associada a terapia hormonal (privação de andrógeno ou terapia de supressão androgênica) tem o objetivo de reduzir o nível dos hormônios masculinos (testosterona e a diidrotestosterona (DHT), no corpo.

Há ainda casos de descoberta no estágio metastático, quando o tumor já se disseminou para as áreas próximas, como bexiga ou reto, para os linfonodos próximos ou para órgãos distantes, como os ossos.  O objetivo do tratamento é manter a doença sob controle durante o maior tempo possível e melhorar a qualidade de vida do homem, o tratamento pode incluir combinação entre Terapia hormonal, Radioterapia (às vezes com quimioterapia), e tratamentos para metástases ósseas.

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