Transplante de cabelo é tendência em tratamentos contra a calvície.

0

Em tempos de febre por selfies, a relação com os cabelos tem se tornado ainda mais importante para homens e mulheres, afinal, como se diz, o “cabelo é a moldura do rosto”. É por isso que surgem a cada dia novos e diferentes tipos de tratamento que buscam eliminar ou pelo menos diminuir problemas como a alopecia, que é a queda dos fios. Um dos que mais tem conquistado espaço é o transplante capilar, especialmente o que utiliza a técnica FUE (Follicular Unit Excision).

Isso acontece por conta das vantagens para o paciente, que são inúmeras, explica o cirurgião plástico Victor Albuquerque. Uma delas, e que acaba tendo um peso grande na decisão, é o fato de ser minimamente invasivo, portanto sem cicatrizes. Como é feito com o folículo piloso da própria pessoa, não há problemas como por exemplo a rejeição. E há a certeza de que esses cabelos não cairão no futuro, já que a remoção para reimplante é feita de uma área que é imune geneticamente à queda.

O médico salienta, no entanto, que é preciso atentar para uma série de questões antes de partir para o transplante propriamente dito. Isto porque não se aplica a todos os casos. Victor lembra que a queda de cabelo pode ter causas genéticas, hormonais, por reação a medicamentos ou tratamentos, traumas como queimaduras ou ressecção de tumores. Ele cita ainda como exemplo deficiências na glândula tireoide.

Antes de mais nada, portanto, é preciso uma boa conversa com o médico e uma série de exames, salienta Victor. É preciso saber como anda a saúde da pessoa de uma maneira geral para que se possa identificar as possíveis causas da queda ou enfraquecimento dos cabelos. Uma série de exames também deverá ser feita no pré-operatório, porque apesar de ser uma cirurgia relativamente simples, o paciente terá que fazer uso de anestesia.

Um dos exames é feito com um aparelho chamado Tricoscópio. Com a tricoscopia é possível aumentar em 50 vezes as imagens do couro cabeludo e identificar, por exemplo, doenças como dermatite, lesões. Além disso, permite verificar a quantidade de unidades foliculares – que podem ter de quatro a um fio de cabelo – e a qualidade da área doadora, a fim de concluir se há condições de fornecer os folículos para o transplante. “Com ele posso mostrar para o paciente na tela do computador qual é a extensão da calvície, como está evoluindo. Esse é um dado importante. As pessoas não têm essa noção, não conseguem ver a olho nu esses detalhes”, salienta o médico.

 Como é feito?

O transplante consiste na remoção de folículos de uma área segura para ser colocado onde se quer corrigir o problema. “Nós chamamos de área doadora segura aquela que, como as da barba, tórax, perna e do próprio couro cabeludo, não sofre ação da calvície. Ninguém fica careca no peitoral nem na barba. Então esses pelos são passíveis de serem utilizados no transplante FUE, que quer dizer “extração direta da unidade folicular”.

De acordo com Victor Albuquerque, o FUE traz uma série de vantagens em relação ao sistema antigo FUT (Follicular Unit Transplantation), talvez a principal o fato de não deixar cicatrizes visíveis, pois a técnica mais antiga retira faixas do couro cabeludo para reimplante. “No FUE a gente não tem esse problema, porque retira diretamente a unidade folicular. A incisão tem 0,9 mm, é muito pequena. Para efeito de comparação, quando você toma uma injeção a agulha tem 0,8 mm”, compara o cirurgião.

O processo é realizado no Centro Cirúrgico em um dia, às vezes dois, e o paciente recebe alta sempre no mesmo dia, com um curativo, explica o médico. “Esse curativo fica 24 horas e eu retiro no consultório e faço a primeira lavagem, com um lavador próprio de cabelo e vou ensinar o paciente a lavar o cabelo em casa nos primeiros dez dias. Nesse período deve-se evitar sol direto no couro cabeludo, porque ele está ainda com aquela vermelhidão e o inchaço da cirurgia. Mas no geral o pós-operatório é bem simples”, tranquiliza.

“É uma cirurgia de baixo risco ambulatorial e o paciente recebe alta no mesmo dia, porém é muito trabalhosa, delicada. São milhares de unidades foliculares, então são milhares de procedimentos (extrações, conferências e implantações). A cirurgia demora de 8 a 10 horas, podendo se estender a até 12 horas dependendo do caso”, esclarece Victor.

O cirurgião destaca que é muito comum os pacientes ficarem ansiosos pelos resultados. Mas é preciso dar tempo para que o organismo faça seu trabalho, alerta. “Esse cabelo transplantado fica no novo local entre 30 e 40 dias e cai. Não são todos. Na média 50% e 60% acaba caindo. Depois eles ficam quatro meses sem nascer. Na realidade, cai o fio de cabelo, a matriz, que é a unidade folicular, está dentro do couro cabeludo. Nesses quatro meses ela está produzindo um novo fio. É um ciclo natural e a pessoa precisa dar tempo para ele ocorrer. Então, o resultado final mesmo da cirurgia se dá com 12 meses. Há um período de adaptação.

Planejamento é importante

Victor Albuquerque afirma que é imprescindível fazer um bom planejamento antes de aplicar a técnica FUE. “As unidades foliculares doadoras não nascem de novo. Ou seja, a área doadora é esgotável. Isso é importante para eu planejar esse transplante”, frisa. A área calva, por exemplo, pode ser maior que a doadora. Então, é preciso pensar no futuro. “Às vezes o paciente é jovem e está ansioso por conta da calvície e quer cobrir todas as entradas, mas eu tenho que pensar que daqui talvez a 20 anos a calvície dele evolua, ele perca todos os outros cabelos que tinha e fique só o transplante. Eu tenho que pensar em poupar a área doadora para novos transplantes. O cabelo não vai nascer de novo, vai mudar de endereço. Então, o planejamento da área doadora é fundamental”, reforça.

Compartilhar

Deixe uma resposta