Avanço da febre amarela no Brasil deve-se a falta de ações preventivas

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Segundo o relatório da FGV, “Febre Amarela no Brasil – um estudo de caso”, falhas na distribuição de vacinas dentro dos diferentes sistemas de saúde das cidades atingidas pela doença desde 2016 facilitaram a expansão na região sudeste do país, destacando principalmente desigualdade na cobertura de vacinação da população mais exposta a transmissão do vírus.

“Nos dois primeiros meses de 2017, algumas cidades do Espírito Santo, do norte e do noroeste do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais contaram com um grande incremento no número de doses de vacina aplicadas”, salienta o estudo da FGV.

“Entretanto, as ações implementadas pelos entes federativos não conseguiram obter a escala necessária de cobertura vacinal entre os municípios brasileiros localizados nas áreas de vigilância permanente, o que ocasionou um grande número de internações”, adianta.

Nos três Estados mais populosos do Brasil, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, as fronteiras de transmissão da doença continuam a avançar.

Segundo o levantamento da FGV, a região sudeste do Brasil – onde estão localizados estes Estados e que concentra mais casos – não contou com número suficiente de doses de vacinas de rotina, já que para ser considerado alto o número de doses deveria atingir 80% da população, de acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na noite de segunda-feira, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro confirmou que a febre amarela resultou neste ano na morte de duas pessoas em Valença, cidade localizada na região sul, e também uma morte em Teresópolis, na região serrana do Estado.

Desde julho do ano passado, 92 municípios do Estado entraram para a zona de recomendação da vacina.

No entanto, segundo o jornal brasileiro O Globo, cerca de 8 milhões de pessoas, ou seja 60% da população que precisaria ter tomado a vacina, ainda permanecem sem proteção contra a doença no Estado.

O mesmo jornal informou que além dos três mortos, há um paciente de Valença internado em Resende com diagnóstico confirmado de febre amarela e outros sete casos sob investigação.

O Estado de São Paulo, onde a febre amarela tem circulado e já resultou em 40 casos confirmados sendo que deste total 21 pacientes morreram, foi classificado hoje como área de risco de contaminação pela OMS.

A infeção já foi detetada na cidade de São Paulo, a maior do Brasil, onde um surto da doença em macacos obrigou ao encerramento de parques públicos.

Já em Minas Gerais 11 pessoas tiveram diagnóstico positivo para febre amarela do final do ano passado até janeiro deste ano. De entre os casos confirmados, nove pessoas morreram.

Minas Gerais tem se destacado como um dos Estados com maior incidência de febre amarela com 465 casos confirmados e 152 mortes desde o final de 2016, especialmente nas cidades da zona rural.

Apesar do aumento do número de mortes causadas pela doença, o Ministério da Saúde ainda não reavaliou o nível de alerta sobre a circulação da infeção, que deixou de ser considerada emergência de saúde em agosto do ano passado.

Especialistas do país distinguem dois tipos de febre amarela que são diferenciadas pelo mosquito transmissor: a selvagem – transmitida pelos ‘Haemagogus’ e os ‘Sabethes’, que atacam principalmente os macacos – e a urbana – que é transmitida pelo ‘Aedes aegypti’ o mesmo vetor do dengue, zika e chikungunya.

Atualmente os casos registados têm sido ligados a febre amarela selvagem, no entanto com a aproximação da doença a grandes cidades o risco de que o mosquito urbano passe a transmitir a doença aumenta.

Fonte: sap24h

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