Empresária morre em explosão de garimpo; caso tem reviravolta

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Daniella Trajano Dalffe era a única mulher detonadora em MT e morreu junto com Mário Lucier Caldeira

A madrugada do dia 20 de agosto foi marcada por uma tragédia que vitimou a empresária Daniella Trajano Dalffe, de 28 anos, e o então presidente de uma cooperativa de garimpeiros, Mário Lucier Caldeira, de 49 anos, na explosão de um garimpo em Guarantã do Norte.

Naquele dia, a última mensagem de Dani foi direcionada a sua mãe, Delma Trajano, que mostrou ao MidiaNews o contato que teve com a filha momentos antes de saber de sua morte precoce.

“Oi, manda notícias. Tá na estrada? Ou no hotel”, enviou a mãe à 1h14 daquela sexa-feira.

“Trabalhando ainda. Terminando aqui já já. Daí vou para o hotel”, respondeu a filha 19 minutos depois, à 1h33.

O objetivo da viagem era acompanhar a explosão de uma pedreira no Município no dia 19. O trabalho foi finalizado às 21h. Na madrugada daquela sexta-feira, ela decidiu passar no garimpo, em uma região conhecida como Serrinha, para conversar com Mário.

Pouco menos de 30 minutos depois da troca de mensagens com a mãe, enquanto fazia o descarregamento da carga de dinamite junto com Mário e outros trabalhadores, houve a explosão às 2h.

Com a força dos explosivos toda estrutura do garimpo veio a baixo. Dani e Mário morreram na hora e outras três pessoas ficaram feridas e foram socorridas com diversas queimaduras.

O caso chamou a atenção da população principalmente pelo fato de Dani ser uma das poucas mulheres que atuavam no ramo de detonação de explosivos no Brasil. Ela era a única mulher blaster (detonadora) na ativa em Mato Grosso.

A amiga Saruy Vírgínia Moraes, de 26 anos, afirmou que desde a oitava série trabalhar como blaster era uma das paixões da jovem. Dani, inclusive, estava cursando Engenharia de Minas na Universidade Federal de Mato Grosso desde 2019.

“Ela atuava nisso há anos e adorava. Ela gostava muito dessa área de detonações. Sempre postava o trabalho no Instagram e estava muito animada com o curso”.

Na época de sua morte, a empresária atuava na empresa da família, Arcompeças, que tem 15 anos de mercado, com sede em Cuiabá, e atua em diversos estados do Brasil em obras de empresas mineradoras, PCHs, construtoras, barragens, entre outras. O local é especializado em comércio de bombas e compressores.

Luto na família

A mãe de Dani deu detalhes sobre como recebeu a notícia da morte da filha e contou que, a princípio, achou que a empresária havia se salvado do acidente.

GARIMPO EM GUARANTÃ

A explosão no garimpo ocorreu na madrugada do dia 20 de agosto

“Ligaram de lá, porque reconheceram a caminhonete dela lá, quando falaram que era onde a Dani estava, liguei no celular dela. Um homem atendeu, falou da explosão, ele disse que achava que ela tinha corrido [para o meio do mato]. Pedi para que ele me ligasse quando ela chegasse”.

No desespero, Delma chegou a trocar de roupa para tentar ir até o local, mas quando entendeu que de fato a filha havia morrido, decidiu que não queria saber dos detalhes.

“Falei que iria lá, queria ver se era verdade, mas me falaram para ter calma, porque era longe. A ficha foi caindo, quando amanheceu o dia e vi que era verdade, já não quis mais [viajar ao garimpo]. Ouvir eles falando do corpo, não quis ir. Se me perguntar detalhes, não sei”

Muito vaidosa, Dani costumava dizer a mãe e as amigas que, quando morresse, gostaria de ser velada com as unhas feitas, os cabelos escovados e maquiada. “Linda como sempre fez questão de estar”, reforça a mãe.

No entanto, por conta da explosão, o velório precisou ser realizado com o caixão fechado. Por conta disso, a família optou por um caixão estampado com uma foto de Nossa Senhora de Fátima.

Explosivos ilegais

Logo com a repercussão do caso, investigadores da Polícia Civil começaram a trabalhar no garimpo para tentar identificar de que forma o acidente ocorreu. Após diversas oitivas e perícia os policiais conseguiram esclarecer parte do mistério

Conforme a apuração, foi identificado que as pessoas que estavam no garimpo no momento da explosão manuseavam um solvente inflamável (Thinner) para apagar os códigos de rastreio que constam nas emulsões e nos cordéis detonantes.

Os códigos são obrigatórios em todo material explosivo e servem para rastrear a carga desde a origem até o destino final do material, que tem o uso controlado pelo Exército Brasileiro.

O contato da emulsão explosiva, que tem combustão sensível, com o Thinner ou uma lâmpada incandescente pode ter provocado a explosão no garimpo.

Dessa forma, todos os indícios levaram a crer que a supressão dos códigos foi feita para evitar que o material fosse rastreado e pudesse, assim, ser vendido no mercado clandestino.

“As cargas de dinamite não deveriam estar em Guarantã, foram movimentadas clandestinamente. O rastreio desse tipo de carga tem uma rota  traçada, não pode ser desviada”, explicou o delegado Victor Hugo Caetano Freitas, que preside o inquérito.

Com os novos desdobramentos do caso, a Polícia chamou a pai de Dani, Roberto Carlos Roberto Dalffe de Araújo, para depor e prestar explicações sobre venda clandestina de explosivos. Ele e outro funcionário da Arcompeças podem ser indiciados por homicídio com dolo eventual.

Apesar de toda repercussão e meses de investigação, o inquérito policial ainda não está concluído e as conclusões preliminares são feitas com base nos elementos colhidos até o momento.

Por Midia News

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